terça-feira 19 de julho

Acredito que estou iniciando um capítulo novo em minha existência. O período de formação terminou, e a certeza que tenho é a de que fiz o possível e o impossível a fim de levar à frente a condição de ser escritor. Foi na semana passada que recebi da gráfica meu primeiro romance, cuja escrita – árdua – foi necessária a fim de que eu tivesse confiança para escrever os próximos livros. O segundo romance é de escrita intensa; deixei de lado a faculdade, o diário e a página de resenhas, e estou plenamente inserido na escrita de obra que idealizo desde 2014 (!). O que faço neste segundo romance é intensificar alguns procedimentos que usei no primeiro romance.

Domingo, eu, meu pai e minha mãe aparecemos na casa da minha avó a fim de apresentar meu primeiro livro à família. É hoje que inicio um curso de escrita criativa – que tem por tema a cidade do Rio de Janeiro – ministrado por Mateus Baldi. É nestas horas que iniciam a tarde que pretendo descansar brevemente, deixar as horas passarem a fim de sentir a tranquilidade, neste excerto de tempo parte das semanas que precedem meu aniversário de 30 anos. Quando projeto minha existência no futuro, e esta existência é definida apenas pela prática de escrita, será a cada livro que estarei construindo um passado meu: um primeiro romance inicia uma trajetória.

A ânsia por terminar o segundo romance é forte, unicamente porque as ideias para os próximos livros são o que reverberam. O fato é que tenho de pensar no segundo romance. Sérgio Sant’Anna escreveu um livro de estreia (em fins dos anos 1960) e disse que seu segundo livro tem a consistência de obra escrita por profissional – porque a escrita de um primeiro romance é parte do processo de descoberta da potência que um escritor tem. Escrever intensamente, sim, e depois revisar com minúcia.

Uma página de diário preenchida traz sensações únicas: se o pressentimento era o de que estou iniciando capítulo novo, é porque estou em processo de recomeço, e neste processo há o contínuo movimento de ir do vazio à densidade, não porque haveria um conteúdo denso, sim porque o ato de recomeçar pressupõe ver o passado pessoal a partir de outra perspectiva, abrindo a existência para conteúdos que antes não existiam (a despeito de quais sejam estes conteúdos).

Vou preparar um café.

Retomando: o estilo que uso no meu segundo romance, levemente diferente do estilo que usei no primeiro, é estilo que não revelo com a escrita deste diário. Desde que a Y. disse que o leitor pretende ter contato com reflexões “diferentes” – foi o termo que ela usou –, dei livre prosseguimento ao ensaio filosófico no interior do romance; é o que posso dizer por enquanto.

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