24 de janeiro

Estou pensando bastante no G., e no quanto nossa amizade foi verdadeira. 14 anos de amizade que permanece a despeito do tempo: se a existência fosse diferente, era para estarmos formando o meio-campo do Vasco, acontece que meu engajamento político não permite. Brincadeiras à parte. Quando conheci G., ele vinha de amores intranquilos, parecia triste, nesta época eu tinha 15 anos e, a fim de ficar animado, eu precisava usar álcool. Foi ao lado de G. que estive em São Januário pela primeira vez, e foi ao lado de G. que vimos o Vasco campeão, em 2011, um ano que parece infinito em nossas lembranças. G. era leitor de Steinbeck, Kafka, Orwell, influenciado por seu irmão, O., que é professor e por quem sinto intensa admiração.

O A. está lendo o autor Baudrillard. É basicamente isto: os objetos conformam nossa percepção da realidade, e, quando os objetos assumem função diferente do que esperaríamos, a realidade passa à ficção, se tais objetos formam obstáculo entre nós e esta realidade suposta. Em realidade ficcional, tudo é permitido, inclusive o jogo entre consequências e – perda de – causas. Apesar de a realidade ser vista como ficcional, a adesão às causas, vindo daí a perda dos elementos obstantes, significaria o reencontro com a realidade, acontece que o a priori ficcional – sendo anterioridade – impossibilita o reencontro com tal realidade, unicamente porque a realidade era o a priori que foi substituído pelo ficcional. A solução é (embora o elemento a ser desfeito seja o tempo): criar separação entre realidade – que foi substituída pelo ficcional e perdeu a configuração que tinha – e real. O real é o elemento que nunca está na realidade, tomando o fato de que a realidade possui configuração simbólica que vem de objetos historicamente inseridos. A fim de desfazer o tempo enquanto oclusão, o seguinte: o real não é determinável pelo tempo porque o que precede o tempo é a linguagem, e a linguagem – com ênfase nas linguagens artísticas – permite o trânsito por qualquer temporalidade. Nesta configuração, o pensamento que está sempre um passo à frente da realidade é o real, até porque o pensamento é a antítese de mundo objetificado.

O método de Walter Benjamin, conforme diz João Barrento, é este: descobrir o mais distante pela observação incansável e implacável do mais próximo.

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