19 de janeiro

A entrada do dia 5 de janeiro, passei para o computador depois de acordar e ir direto ao chuveiro. Acordei bastante cedo, antes das 6h, e o fato é que a manhã, esta manhã, é das mais calmas que tive, dentro de longo período. Ontem, tomei resoluções que, em suma, significam isto: não desistir. Estou cometendo um erro que pretendo contornar: parar de fumar cigarros industrializados (e qualquer outro) a fim de ter a longevidade que os sábios chineses ensinaram. Ontem, ao ler trechos dos diários de Ricardo Piglia, lembrei de um conselho dito por escritor cujo nome não sei: ler uma página de clássicos por dia. É isto que aumenta o nível do que escrevemos. São 9h37. Porque acordei cedo e tomei o café da manhã cedo, estou com fome, e o almoço virá somente às 11h. Consegui comprar um relógio, é da marca Orient, modelo básico, e o que parece é que as horas estão passando rápido. A este horário, confesso que não sei o que fazer. Pegarei o livro de Peter Burke sobre os polímatas e escreverei a seguinte citação, depois de abrir o livro em página que, a este momento, não sei qual será – a seguinte citação: “Nos Estados Unidos, a ascensão de estudos japoneses foi ‘alimentada pelo confronto com um inimigo de guerra’” O perpétuo conflito. Como se não bastasse a bomba atômica, é preciso estudar minuciosamente o inimigo, eis a inteligência norte-americana (!). O contexto de tal citação é o empreendimento de conflitos e fundações a fim de estudar os inimigos potenciais, após a Segunda Guerra.

Crianças que desenham é um filme de 1956, feito pelo diretor Sumumu Hani, e tem este subtítulo: Entendendo a arte das crianças. Trata-se de um documentário que tem por tema desenhos infantis. Em uma resenha de blog na internet, há isto: misticamente, o desenvolvimento individual de cada criança tem conexões com os desenhos que fazem. Um poema do turco Hikmet, na voz do norte-americano Pete Seeger, diz isto (em tradução minha): Em Hiroshima, tempos atrás, eu tinha apenas 7 anos. A seguir, o poema diz: Para mim, não peço porque estou morto. Você, que luta por paz, luta para que as crianças tenham o que não tive. A obra de Susumu Hani está situada no pós-guerra, tal documentarista, nascido em 1928, viveu os horrores do conflito, e a mensagem deste artista é onde encontro esperança. Leio – em livro de Maria Roberta Novielli – que Hani privilegia o amadorismo em detrimento da perfeição, característica que torna ainda mais reais os documentários que faz. Não assisti a este filme, e o fato é que lembro da minha infância, quando o que eu gostava de desenhar eram carros. Continuei a ler o livro de Novielli, encontrei a sinopse de um filme de Susumu Hani, a seguinte sinopse: “a mulher sente-se atraída pelo mundo dos marginais que vivem numa área adjacente, e seu interesse concentra-se particularmente num ferro-velho. Assim como a protagonista reconhece gradualmente a dignidade dos pobres, deduzindo por contraste a inutilidade de uma existência como aquela conduzida pelo marido, empregado que vive sem atritos, o dono do ferro-velho recusa-se a ser inserido na sociedade burguesa, preferindo a sua liberdade.” O título deste filme é Ela e ele, de 1963. A relação entre o primeiro filme que citei e este último, encontro a partir de mim: fui uma criança de alta criatividade, mantenho minha biblioteca como se fosse um singelo ferro-velho – porque inútil ao mundo do dinheiro – e é escrevendo que encontro a liberdade plena, tecendo cenas imaginárias com que atravesso os dias, nos dias as horas, nas horas o silêncio.

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